sábado, 21 de outubro de 2017

Ritual de Fortalecimento LGBT




Materiais necessários:
Uma vela de sete dias de sete cores
A carta de tarot a justiça e o sol
Bandeira lgbt
Um pouco de coco ralado para oferenda

Coloque a bandeira LGBT no centro do circulo; então coloque a vela no chão um pouco acima da bandeira, o sol abaixo à direita e a justiça também abaixo à esquerda, produzindo entre os três um triangulo.
Acenda a vela de sete cores  e recite:
“Uanana, deusa da diversidade
esteja entre nós com harmonia e verdade.
Me deixa ser um ponto de luz, da chama da compreensão
Do direito a igualdade.
Eu chamo os ancestrais da púrpura chama para agir com unidade.”

Neste ponto, visualize uma chama violácea saindo  da sua vela, ela é o poder de uanana, o poder da aceitação da diversidade em nós, a aceitação da originalidade do outro; ela é a força dos ancestrais da [viada] chama ] púrpura, aqueles que morreram para que os direitos LGBT fossem garantidos, aqueles LGBTs que morreram não só em nome da causa, mas também pela intolerância daqueles que não aceitam o diferente. Sinta que o calor dessa chama lhe invade, você se centra com o poder desta chama, percebe o poder em você, percebe o poder de ser LGBT, o sagrado em você.
Lentamente expanda essa chama abrindo seus braços, expanda-a para a sua cidade, as escolas da sua cidade, a câmara da sua cidade, trazendo compreensão, garantindo nossos direitos. Então a expanda ainda mais, expanda-o pelo estado, até cobrir todo o país, a chama do nosso direito está em todo país. Então perceba partes dessa chama que sai de você chegando a Brasília, tomando o Palácio do Planalto, enchendo nossos governantes de compreensão e os fazendo aceitar que nós merecemos nossos direitos.
Quando terminar, recite:

“ A chama que eu sou é a aceitação elementar,
De deixar cada individuo seu sagrado demonstrar.
Uanana senhora da consciência viada,
Do ser homem-mulher, da diversidade sagrada,
Traga-nos seu poder para lutar,
Pelo nosso lugar na terra amada.”

Dance com o poder da chama elevando seu poder, entregando-o como uma estrela ao universo e ao terminar, agradeça a Uanana e deixe uma oferenda de coco ralado, agradecendo-a ao seu poder.

Guarde os objetos, e nos próximos dias em que a chama da vela estiver acesa recite a última parte, fortalecendo assim o feitiço.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A sereia e a mulher trans




Texto adaptado de Alicia Fernandes
Originalmente postado em: https://www.facebook.com/CaioAlejandro/posts/10208297432586905

        Já faz um bom tempo que eu tenho vontade de fazer esse texto porque às vezes sinto um grande vazio quando se trata do debate sobre a simbologia trans. Você já se perguntou por que é tão comum ver meninas trans que são fascinadas por sereias na infância? Você sabia que a sereia é o principal símbolo da mulher trans? Vamos falar um pouco sobre isso hoje.
Quando você é criança e vê aquela mulher linda e encantadora na TV que é uma figura admirada por todos e não precisa de uma vagina pra ser reconhecida por TODOS como "mulher", como um ser feminino, imediatamente você se identifica.
 Claro que no momento você não sabe que é por esse motivo, pois a única coisa que o seu consciente vê ali é uma mulher linda y misteriosa, que se conhece muito bem (se empoderar do seu maior dom e utiliza-lo como "arma" também é um sinal de autoconhecimento) e é LIVRE. Ela nada com liberdade pelo oceano e conhece os seus 'Segredos' porque sabe que a ele pertence.
Sabe o momento em que você vê a sereia sentada numa pedra no meio do oceano se penteando e olhando no espelho e você fica quase hipnotizada com aquilo? Pois é, aquilo já é o seu inconsciente tentando te dizer o quão grande é o seu desejo de estar nesse lugar. A maioria de nós tem, desde criança, o grande desejo de olhar no espelho e ver uma mulher linda de cabelos longos.
 Seria equivocado da minha parte dizer que muitas de nós tem quase uma obsessão por cabelo grande até certo momento da transição? Creio que não. Ademais, o espelho e o ato de pentear os cabelos (que inclusive acho bom lembrar que é muito comum entre mãe e filha na infância) são duas coisas que geralmente possuem um valor subjetivo muito forte e especial pra maioria de nós. Inclusive o espelho também possui um papel fundamental no processo de maturação do homem trans, mas deixarei isso pro próximo texto.
Sabe aqueles filmes com sereias que sempre tem um momento em que ela deseja mais do que tudo ter pernas e ser uma "garota normal"? Poder andar pela terra com liberdade e viver um romance com um homem da terra? Agora me digam, quantas vezes nós mesmas não já olhamos no espelho e desejamos mais que tudo ser uma "garota normal"? Não ter uma "cauda"? - aqui vou trabalhar com a noção de homem que nos é passada desde a infância, a noção de que só existem homens cis - Por várias vezes nós desejamos isso principalmente pra poder ter um romance com um "homem da terra", mas você no fundo sempre sente como se ele nunca fosse te entender porque são duas realidades tão diferentes que é quase como se ele vivesse na terra e você no mar.
             Você sempre se sente um pouco estranha com ele, como se não pudesse ser você mesma 100% do tempo porque afinal de contas ele é "apenas um garoto "normal"". Comparemos isso tudo com a primeira vez que nos apaixonamos por um garoto na nossa infância/adolescência.
Quantos filmes de sereias nós assistimos que possuem sereias crianças ou anciãs? Elas são mulheres que nunca foram meninas. Mulheres que nunca tiveram a oportunidade de envelhecer. Pura coincidência?
Para finalizar, vou falar um pouco do sentimento de pertencimento. À medida que vivemos numa sociedade extremamente cisnormativa, nós nos sentimos cada vez mais perdidas no mundo. O sentimento de pertencer a um lugar assim como a sereia pertence ao mar é simplesmente gigante. A vontade de ter um lugar que você realmente é aceita como é e pode chamar de lar é permanente até o momento do descobrimento de si mesma.
Quando eu posto no meu Facebook a frase “sou a sereia que nada na imensidão de si mesma, que nada cm liberdade pelo oceano e sabe que dele veio e a ele pertence", eu estou falando de autoconhecimento, de pertencimento, de orgulho de ser quem é, de finalmente olhar no reflexo do espelho (ou da água do mar) e se reconhecer, de conhecer suas origens e ser livre, se sentir livre dentro do seu próprio corpo e sua própria alma.
 São coisas tão profundas e tão próprias da minha experiência como uma garota trans que no fundo eu duvido muito que uma pessoa cis consiga entender a real complexidade disso.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Manifesto Por Uma Bruxaria Queer inclusiva






“A magia é uma só, porque se preocupar com algo feito apenas para LGBTs ?” lembro de ouvir esta pergunta quando um amigo propôs a criação de um grupo no facebook de magia que aceitaria apenas LGBTs, parece uma questão pertinente e simples, mas questionemos o status quo e nos perguntemos: quantos feitiços de amor não exibem em suas receitas “para homem conquistar mulher” e vice versa? Procure bidrunes sobre o mesmo tema e verá que a recorrência é a mesma.

Não estou é claro falando apenas da questão da magia de amor, quantos textos existem sobre o poder do sexo e como uma relação saudável faz bem à magia? Quantos destes textos são voltados para a sexualidade LGBT? O único texto que conheço neste sentido chama-se “Sodomia como Realização Espiritual”, escrito por Phil Hine e é algo produzido por um escritor de magia do caos, não wicca.

Sim, a magia é uma só, mas cada um de nós a acessa de modo distinto, é quem somos que acessa a magia de sua forma, as chaves pertencem a aqueles que se conhecem e é parte deste conhecimento a sexualidade; ainda mais, ser um LGBT em muitos casos perpassa a questão individual e passa a falar sobre uma comunidade, um nicho social com seus próprios dialetos, gostos, e porque não falar, seu próprio meio de acessar os mistérios?

Parte da importância do sacerdócio está em servir a comunidade. O quanto você, bruxo LGBT, empenha de sua magia para proteger os seus? Onde está o seu senso de comunidade? O quanto nós nos empenhamos para que as leis do nosso pais sejam favoráveis a nós em igualdade com nossos compatriotas heterossexuais? O quanto de nosso tempo dentro da bruxaria é dado a curar as feridas que o patriarcado nos causa, comungando com os deuses e pedindo o auxilio para curar outros?

Como um homem gay, passei uma boa parte da minha vida mágica percebendo uma ausência de modelo. O Deus não é um homem, ele é o sagrado masculino, a Deusa não é uma mulher, ela é o sagrado feminino, mas ainda assim costumamos ver uma expressão da religião heterossexualmente centrada.

E não estou dizendo aqui que devemos mudar os dogmas e colocar dois homens traçando juntos um circulo, mas estou convidando a todos para entender o sagrado feminino e o sagrado masculino dentro de todos nós. (e isso não vale apenas para LGBTs).

Entender o poder de nossa sexualidade, o poder da formação de nossa identidade é antes de tudo empoderar-se, é galgar um poder que advêm da percepção da divindade em nós, pois todos nós somos uma expressão única do todo, do cosmos.

Isso é um convite: que tal da próxima vez em que você traçar um círculo, você não pede aos deuses que lhe mostrem as melhores maneiras de se empoderar magicamente através da sua expressão sexual? (e a energia sexual vai muito além do sexo em si).

Que tal pensarmos em produzir conhecimento que ajude nossos irmãos na magia a entender quem são, a curar-se das feridas, e para proteger nossos tão amados irmãos? Que tal produzirmos magia de forma a diminuir o número de transexuais que são mortos todos os anos, até que os índices cheguem à zero?

Ouvi mais de uma vez que, como gay, eu não deixo de ser homem e, portanto, particípio dos mistérios masculinos, sim, é verdade; mas inegavelmente nestes mesmos círculos me vi forçado a ver constantemente minha vivencia ser colocada como um desvio da expressão masculina, uma página de rodapé, já que a expressão mais comum é a heterossexual, mas não, eu não sou uma nota de rodapé, e está na hora de nós passarmos a produzir uma literatura que fale sobre a questão mágica do homem gay, os mistérios masculinos do homem que gosta de outros homens. Assim também o devem fazer as mulheres.

Está na hora de percebemos que os antigos padrões não são suficientes para entender a uniquidade de nossa sexualidade e de nossa presença no mundo. Não ver isso é apagar-se, ou correr o risco de sermos explicados — como li varias vezes — como uma mera ponte entre os mistérios masculinos e femininos, e não como uma expressão única neste grande mistério que é a vida.

Honre os ancestrais da chama viada, assim como honramos aqueles que queimaram na fogueira, ambos morreram para que hoje você estivesse aqui, para que nós estivéssemos aqui. Honre-os garantindo aos que virão depois de nós que o caminho seja para eles mais fácil do que é para nós.



Isto é um chamado,

Félix Atalos M.
2017

segunda-feira, 17 de julho de 2017

ORAÇÃO DOS CÍRCULOS DE UANANA

Para quem não sabe, a Tradição Diánica do Brasil, a TDB, possui um circulo de empoderamento LGBT que funciona em todas as cidades do país e também online, é um trabalho que eu não só referendo como também faço parte, pois em Fortaleza, a TDB e o Coven da Lua Negra se juntaram em uma parceria, tornando o Circulo da Viada Chama Púrpura, a expressão do Circulo de Uanana nas terras alencarinas.


Leiam, na integra a Oração dos Circulos de Uanana 
por Mavesper Cy Ceridwen



 




Divindade do Acolhimento,
Você que é Deusa/Deus em múltipla diversidade
Você que não conhece limites nem limitadores
Você que é liberdade plena,
Arco-íris no céu azul da vida,
Ponte de conhecimento e simpatia,
Abençoa com seus dons todo planeta e seus filhes.
Faça com que cesse toda violência, toda discriminação
Que amor, desejo, sexualidade, saberes, pensares e apaixonamento
Estejam sempre livres de julgamentos dos que se prendem a regras que não mais nos servem
Que os Filhos do Arco-Íris possam caminhar sem medo sobre a Terra.
Que sua doce voz embale os sonhos dos que ainda nos temem
Para que percebam que somos iguais, em Amor e Beleza
Que sua doce melodia encante os que nos querem mal
Os impeçam de nos atingir e nos forneça proteção sempre
Contra toda violência, toda maldade, toda maledicência, todo preconceito, toda agressão
Que o Círculo de Uanana nos irmane em força, igualdade e solidariedade.
E que digamos todos os dias: “Nunca estou só, nunca estou desamparade porque a Deusa/Deus Será-Homem-Será-Mulher enche meus dias com plenitude, segurança e delícias!
Que assim seja e assim se faça!

Originalmente retirado de: https://circulodeuanana.wordpress.com/2017/07/16/oracao-dos-circulos-de-uanana/